terça-feira, 12 de julho de 2011

Passo Verniz?

NÃO APLIQUE VERNIZES SEM A ABSOLUTA CERTEZA DE ESTAR ACERTANDO. VOCÊ PODE COMPROMETER TODO O SEU TRABALHO E POR A PERDER UMA OBRA DE ARTE!


A principal função dos vernizes é proteger a pintura, depois de acabada, no entanto proporcionam também um acabamento diferenciado, brilhante ou semifosco, de acordo com o gosto do artista, além de restaurarem o frescor original das tintas.



Neste post vamos falar dos vernizes para Pintura a Óleo.

Classificam-se em:

PERMANENTES:
São produzidos com resina dura, criando uma película rígida e brilhante, que no caso das pinturas a óleo, já de início apresentam-se amarelados, escurecendo com o tempo. O seu maior problema é que não pode ser removido sem por em risco a pintura sendo por isto pouquíssimo usado nos dias atuais.

REMOVÍVEIS:
São produzidos com resina macia, não amarelecem e podem ser facilmente removíveis quando necessário.

Os vernizes removíveis ainda sub-classificam-se  em:

VERNIZ DE RETOQUE ( RETOUCHING VARNISH ou  VERNIS À RETOUCHER): como o próprio nome indica, usados para retocar as telas assim que se mostram secas, reavivando as cores. (Período ideal de secagem da tela a ser observado antes da aplicação do verniz = 1 mês). Podem ser naturais e sintéticos.

VERNIZ FINAL: Mais espesso e mais resistente que o verniz de retoque, é usado quando a pintura está completamente seca. (Período de secagem da tela a ser observado = 6 meses para pinturas de películas finas e um tempo maior para telas de impasto).  Também podem se naturais e sintéticos.


Conhecendo os diversos vernizes:

VERNIZ DE DAMAR NATURAL ( DAMMAR VARNISH ): O mais popular de todos os vernizes.
É um verniz de retoque, de alto brilho, viscoso, que deve ser aplicado dissolvido em terebintina e aplicado com pincel.

VERNIZ MASTIQUE NATURAL: Produzido a partir da resina do mastique, é menos viscoso que o verniz de damar, sendo mais fácil de aplicar, no entanto, tende ao fendilhamento, o que desaconselha o seu uso.

VERNIZ BRILHANTE SINTÉTICO (GLOSS VARNISH ou PICTURE VARNISH): Popularmente chamado de verniz incolor. Substitui o verniz damar produzindo uma película de alto brilho.

VERNIZ FOSCO SINTÉTICO (MATT VARNISH): Idêntico ao brilhante, com acabamento fosco.

CONSERV ART: Representa o que existe de mais moderno na química dos vernizes. Facilmente removível por até 100 anos.

VERNIZ DE CERA DE ABELHA: Apresentado em pasta, aplica-se derretido por aquecimento. Protege um pouco menos que os demais vernizes. Dá um acabamento semifosco.

VERNIZ CRISTAL: De produção nacional é um verniz
à base de resinas. É usado em substituição ao
verniz Damar, mas confere uma ligeira
tonalização amarela à pintura. Também é empregado
como verniz final.Pode ainda ser utilizado como médium.

Dica: Para utilizar o verniz cristal como médium, misture-o ao secante de cobalto + terebintina + óleo de linhaça, considerando uma proporção de 70% do verniz para 30% dos diluentes. Você terá como resultado um brilho vitrificado .

VERNIZ COPAL: Trata-se de um verniz removível, que devido à dificuldade de remoção é conhecido muito mais como um verniz permanente. Quanto mais antiga a aplicação, mais duro (permanente) se torna. Substitui o verniz de âmbar, uma vez que este agora é quase uma pedra preciosa, com os preços naturalmente atualizados! Ainda assim, também é um verniz raro nos dias de hoje.
Apesar da sua característica permanente, pode ser utilizado como verniz de retoque, tendo sido amplamente utilizado por retratistas do século passado para isolar demãos intermediárias de veladuras. Tem a desvantagem de escurecer com o tempo.
Confere à pintura um brilho vitrificado.




É importantíssimo observar que NUNCA podemos utilizar vernizes imobiliários para acabamento em telas. Apenas materiais artísticos devem ser considerados.



VERNIZ ÂMBAR: Um dos vernizes mais finos e mais caros de hoje, adequado apenas para pinturas em painéis, pois por sua fragilidade tende ao fendilhamento. Já foi usado largamente por quase a totalidade dos grandes mestres, apesar da sua ligeira tendência amarelada.
Esteja sempre certo de que foi produzido com âmbar puro do mar Báltico, óleo de papoula e terebintina. Se a sua opção for usa-lo sobre uma pintura em tela, misture-o com um pouco de óleo de linhaça ao aplica-lo para aumentar um pouco a sua flexibilidade.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Segredos do Ofício I

Como as acrílicas, a tinta a óleo também tem os seus segredos de diluição.

Os diluentes são materiais que ao serem acrescentados à tinta, facilitam a sua aplicação. Caracterizam-se por sua capacidade em fazer soltar o corpo da cor. Não devem ser confundidos com óleos e médiuns, cuja finalidade é modificar a aparência da cor, que podemos ver em um próximo post.

TEREBINTINA: Também conhecida como terebentina. Diluente tradicional da tinta a óleo, porém com o odor mais forte utilizado por artistas. se exposta ao ar por longos períodos, oxida-se, escurece e engrossa. Quando usada em excesso, tende a reduzir o brilho da camada de tinta, além de deixá-la sujeita ao fendilhamento. Existem também variações destiladas do óleo da casca do limão, da laranja e da tangerina, chamadas terebintinas cítricas.
Trata-se de um produto destilado dos bálsamos de certas espécies de pinheiro. Origina uma mistura viscosa que se exposta ao ar por longos períodos, oxida-se, escurece e engrossa. Quando usada em excesso, tende a reduzir o brilho da camada de tinta, além de deixá-la sujeita ao fendilhamento. Existem também variações destiladas do óleo da casca do limão, da laranja e da tangerina, chamadas terebintinas cítricas.
Procure usar sempre terebintina destilada e nova – mantendo sempre o vidro fechado.


TEREBINTINA DE VENEZA: Líquido viscoso que não deve ser confundido com a terebintina tradicional. Amplamente usada pelos mestres da antiguidade, dá corpo à tinta com um tempo ideal de secagem. Atualmente tem sido substituída por um produto conhecido como Bálsamo do Canadá, mais fino e claro que a original.





WHITE SPIRIT: Trata-se de uma água raz de alta pureza, com um odor mais suave do que a terebintina. Dá origem a uma mistura mais aguada e não sofre a ação do tempo ou da luz.

SANSODOR: É um diluente específico da Winsor&Newton, à base de hidrocarboneto, ideal para alérgicos. Como a terebintina, também dá origem a uma mistura viscosa, que evapora-se lentamente. Quase não possui odor.

ASPIC (ÓLEO DE LAVANDA): Caracterizado por seu delicioso perfume de lavanda, é de secagem mais lenta do que os demais diluentes. Lembre-se de adquiri-lo em lojas de material para pintura, evitando produtos manipulados para cosméticos.




O manuseio da Terebintina requer cuidados especiais pois pode contribuir com os seguintes riscos:
- O contato da Terebintina com a pele pode causar irritação.
- O contato com os olhos causa forte irritação com possibilidade
de danos.
- A inalação dos vapores pode causar irritação e
danos às mucosas do trato respiratório.
- A ingestão pode causar irritação ou danos às mucosas do trato digestivo.

A Terebintina pode causar dermatites, coceira e
rachadura da pele. Pode irritar os pulmões.

Segredos do Ofício II

“ À pintura pois. Para o que der e vier. De preferência sem dor. Com prazer e paixão. A pintura está aí, entrando pelos poros, pelo nariz, pelos ouvidos, indo direto ao coração antes mesmo de passar pelo cérebro. A pintura voltou a ser um vale-tudo. Ótimo. Dizem que é bad painting, eu a vejo linda. Dizem que é feia, ultrajante, eu a sinto sensualíssima. Tem seis dedos, um olho só e manca de uma perna. I love her.”
Esta introdução é só para poder indicar o livro do Frederico Morais:
Arte é o que eu e você chamamos de arte
– Sempre atual - vale conferir!

À pintura pois!

Uma infinidade de azeites pode ser usada na pintura a óleo, dependendo do efeito que queremos. Observe que os azeites de pintura não devem ser acrescentados à tinta de uma maneira aleatória, normalmente são misturados a um diluente apropriado.


ÓLEO DE LINHAÇA
: Obtido das sementes do linho que depois de finamente moídas são prensadas por diferentes procedimentos. As condições climatológicas, os sistemas de cultivo e os procedimentos de obtenção afetam a qualidade deste óleo, que quando de boa procedência deve ser fluido e de cor amarelo claro. Na verdade, este azeite não seca e sim, passa do estado líquido para o estado sólido perdendo peso progressivamente.

Vamos encontrar diversas variações:


ÓLEO DE LINHAÇA PRENSADO A FRIO
: É o mais puro e o mais caro dos óleos de linhaça.
Tem a função de melhorar a fluidez, aumentar o brilho e a transparência da tinta.

ÓLEO DE LINHAÇA PURIFICADO: Quando de boa qualidade constitui uma excelente alternativa. Tem uma consistência mais fina que o óleo prensado a frio e a cor varia do amarelo claro ao marrom. Quanto mais claro, melhor será a qualidade. Torna a secagem da pintura a óleo mais lenta.

ÓLEO DE LINHAÇA POLIMERIZADO OU ‘STAND OIL” : Apresenta como principal vantagem o fato de propiciar maior deslizamento ao pincel, evitando as marcas das pinceladas, além de tornar a secagem ainda mais lenta.
É o óleo adequado para veladuras e pormenores. Devido à consistência espessa deve ser usado com uma maior proporção de diluente.

ÓLEO DE LINHAÇA BRANQUEADO: Acelera a secagem da pintura a óleo. Por sua cor descorada é o ideal para pinturas claras e áreas onde se use muito o branco.

ÓLEO DE LINHAÇA ESPESSADO AO SOL: é o mais apropriado quando se precisa de uma secagem rápida, no entanto por sua consistência demasiadamente viscosa, necessita de muito diluente. Aumenta consideravelmente o brilho da pintura a óleo.
Lembre-se sempre que produtos mais baratos podem ser de baixa qualidade e afetar a coloração da sua pintura.

Investindo em um bom material e terá sempre melhores resultados.

Para minimizar a possibilidade de amarelecimento, não abuse do uso do óleo.

Você pode produzir em casa o seu óleo de linhaça espessado ao sol:

Coloque o óleo de linhaça purificado em um vidro e cubra-o com um paninho de modo a permitir a circulação do ar, protegendo o produto contra impurezas. Deixe-o ao sol durante várias semanas, agitando-o de vez em quando, delicadamente.

ÓLEO DE PAPOULA: Muito claro e leve, tem como vantagem sobre o óleo de linhaça que a pintura não amarelece com o tempo e como desvantagem o fato de ser muito mais caro. Mantém as cores claras como no momento em que foram pintadas, no entanto, tem uma ligeira tendência ao fendilhamento.

Pode também ser preparado em um médium da seguinte maneira:

1 porção de óleo de papoula + 3 poções de óleo de linhaça + 3 poções de diluente.

Se todos os materiais empregados forem de boa qualidade você terá
um excelente MÉDIUM PARA ÓLEO, que deverá ser usado de forma a não prejudicar a homogeneidade da pintura.